Ao criar esse diário virtual não tinha idéia do que escreveria aqui diariamente, minha amiga Thainan
queria um cantinho onde ela pudesse publicar suas receitas culinária e eu me ofereci para criar um blog para ela, o
Cozinhando com Thainan ficou melhor do que eu esperava e bateu aquela vontade de ter também meu próprio espaço. Mas espaço para que? Não quero contar tudo o que me acontece nos mínimos detalhes, até porque teria que citar nomes de pessoas que estão a minha volta e essa exposição pode ser prejudicial. Ao mesmo tempo quero poder guardar lembranças dos momentos vividos e registrar qual o meu pensamento nesta época.
Sou uma pessoa saudosista, daquelas que passa grande parte do tempo relembrando o passado e desejando um dia poder voltar no tempo. Na verdade o simples fato de ler o que escrevo já me permite viajar em um tempo não muito distante e reviver tudo de novo. Procuro apenas relembrar os muitos momentos bons, mas reviver os tristes se torna muitas vezes inevitável.
Já dizia um lindo poema "aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós.Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós" e é assim que vamos vivendo.
Nem sei por que estou escrevendo isso, acho que é a saudade que sinto de viver com meus pais, a maioria das pessoas sonham um dia poder sair de casa e ter seu próprio cantinho, para ser sincera eu nunca sonhei com isso, as coisas simplesmente aconteceram. Morava em uma cidade pequena onde não existiam bons colégios do ensino médio, conclui o ensino fundamental e quando vi já estava estudando em outra cidade. Dali para a capital foi um pulo e voltar a morar na minha saudosa Miguel Calmon passou a ser algo que nunca desejei desde então, pois amo morar em Salvador. Foi aqui que me descobrir, que senti a dor e a alegria de ser quem sou, foi aqui que passei dias de grande emoção e onde também conheci a solidão.
Nesses nove anos em Salvador nunca quis tanto que meus pais viessem morar conosco como agora, depois do transplante do meu pai sinto a necessidade de estar cada vez mais perto deles, apesar de nos falarmos por horas e horas no telefone quase que diariamente, gostaria de ter o contato físico, o olho no olho. A única coisa boa que a distância nos oferece e a possibilidade de brigarmos menos, mas a maturidade também nos proporciona isso.
Todo mês meu querido Papy vem a Salvador fazer a " manutenção do fígado novo" , passa apenas dois dias conosco, mas que são suficientes para matar um pouco da saudade e desfrutarmos, eu e minhas duas irmãs, da sua ótima companhia. Esse mês ele passou apenas um dia, o médico entrou em licença paternidade e ele resolveu voltar antes.
Ontem voltando para casa me bateu uma angustia, um sentimento de tristeza e também de inveja. A tristeza por ter passado apenas poucas horas com ele e a inveja porque minhas irmãs desfrutam de mais tempo em sua companhia.
Se bem que não tenho do que reclamar, sempre soube usar bem as horas que tenho com ele. E uma das minhas primeiras providências quando chego em casa e tira-lo de lá; gostamos muito de passear e de fazer compras. Aliás ir no supermercado com ele é um dos meus programas favoritos. Essa semana fomos também no shopping comprar um novo celular para ele.
Apesar das "limitações" que um transplante recente impõe no paciente, meu pai é um cara bastante ativo e o melhor de tudo FELIZ!
Keila